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Ampliação
do léxico
da libras na área educacional
Neiva
de Aquino Albres
No
país há um movimento de organização de educação bilíngüe para pessoas
surdas, e para que esta se efetive se faz necessário uma reestruturação
na escola, onde o sujeito surdo seja educado em sua primeira língua, assim
a língua cresce, pois precisa ampliar seu léxico para atender aos novos
conceitos que os mesmos tomam consciência no processo de escolarização.
Consideramos
que o uso de um termo (sinal) definitivo é de fundamental importância
para que ocorra a aprendizagem. Vygotski (1998), considera que:
"Todas
as funções psíquicas superiores são processos mediados, e os signos constituem
o meio básico para dominá-las e dirigi-las. O signo mediador é incorporado
à sua estrutura como parte indispensável, na verdade a parte central do
processo como um todo. Na formação de conceitos, esse signo é a PALAVRA,
que em princípio tem papel de meio na formação de um conceito e, posteriormente,
torna-se o seu símbolo." (p. 70)
O uso
de sinais provisórios como o "balançar" da primeira letra da palavra,
pouco contribui e muitas vezes atrapalha o aprendizado dos alunos. Constatamos
(conforme informações dos próprios alunos) que o "S" balançado já foi
usado para representar: singular, sujeito, servo, suserano, substantivo,
sistema e socialismo. Pode-se argumentar que o surdo tem acesso à palavra
escrita e a partir deste constroe o conceito, mas em uma educação bilíngüe
o ensino deve ser proporcionado em língua de sinais.
A construção
da língua de sinais segue alguns critérios. Nós, enquanto professores
de surdos e usuários da libras diariamente, devemos tomar cuidado com
as traduções literais. Para tanto, devemos levar em consideração as regras
de formação de palavras (sinais).
A língua é
composta por um sistema de signos que exprimem idéias, e nos traz um significante
e um significado. É importante ressaltar que muitas vezes a forma de uma
palavra não apresenta nenhuma ligação intrínseca e necessária com o seu
objeto de referencialidade. Mas, a construção de novos sinais deve ser
cuidadosa, primeiramente procuramos em dicionários de Libras e na comunidade
surda para constatar se as palavras já não tinham sinais, se as mesmas
não tivessem, partíamos para a construção coletiva, compartilhada com
os alunos a partir de sua definição. O fechamento do léxico, nesse primeiro
momento, para classes
gramaticais
e escolas
literárias se deu na FENEIS/SP no dia 07
de maio como um encontro com surdos professores de Libras, que referiram
perceber nesse momento a busca pela qualidade na educação de surdos, pois
quando cursaram o ensino fundamental e ensino Médio não aprendiam por
meio da sua Língua.
Diante disso, o
texto "formação dos itens lexicais ou sinais a partir de morfemas" da
Doutora Lucinda Ferreira Brito (1997, p. 39) e "o processo de formação
de palavras" de Quadros e Karnopp (2004, p. 94), são de essenciais para
os que necessitam do uso de novos sinais para o ensino-aprendizagem de
novos conceitos. Buscando a criação pela Derivação ou por Composição,
assim os novos sinais que hora apresentamos foram formados a partir de
seus radicais aos quais se juntam afixos ou morfemas gramaticais, pelo
processo de derivação. Procuramos também seguir as orientações de Quadros
e karnopp (2004, p. 78) ao escrever sobre as restrições de formação de
sinais, com relação à condição de simetria e condição de dominância, apontam
que:
"As restrições na formação de sinais, derivadas do sistema de percepção
visual e da capacidade de produção manual, restringem a complexidade dos
sinais para que eles sejam mais facilmente produzidos e percebidos. O
resultado disso é uma maior previsibilidade na formação de sinais e um
sistema com complexidade controlada." (QUADROS E KARNOPP, 2004, p. 79)
Essa
orientação é de suma importância para não se criar sinais com movimentos
esdrúxulos e de difícil execução, já que a tendência das línguas é a economia
lingüística a redução para a agilidade na compreensão do receptor.
A
Língua Brasileira de Sinais nos dá várias possibilidades de criação de
novas unidades lexicais a partir de formas já existentes, repetindo ou
mudando o movimento na estrutura segmental da forma-base, enquanto mantém
as outras unidades - locação, configuração e orientação de mãos - inalteradas.
(QUADROS E KARNOPP, 2004, p. 1001)
Cumpre-nos,
por fim, expressar nossos agradecimentos à FENEIS e a todos os colegas
surdos que colaboraram e se dispuseram em contribuir com a construção
desses sinais, principalmente a Regiane Agrela (Associação de surdos de
SP), Cristiano koyama (professor da DERDIC) e Moryse Saruta (subcoordenadora
do CELES/FENEIS/SP e Professora do IST).
Referências
BRITO, Lucinda Ferreira. Por uma gramática da língua de Sinais.
Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1995.
BRITO, Lucinda Ferreira. Estruturação de Sentenças em Libras. In: BRASIL,
Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Especial. Educação
de surdos. Brasília: MEC/SEESP, 1998.
-VOLUME 3 -Língua Brasileira de Sinais)
QUADROS, Ronice Muller; KARNOPP, Lodenir Becker. Língua de Sinais Brasileira:
estudo lingüísticos Porto Alegre: Artmed, 2004.
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